O Corvo, Edgar Allan Poe, Editora Clepsidra

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Ato 1: O Desabafo


Eu não sei vocês, mas eu me canso facilmente da quantidade de vezes que costumo dizer que vou mudar, me empenhar mais, fazer acontecer ou qualquer coisa do tipo. Hoje é o 15 dia do ano e eu havia prometido postar todos os dias desde o primeiro dia de 2020, o que obviamente não aconteceu. É frustrante e até vergonhoso saber que sou minha própria sabotadora. E acho que, por este motivo, escolhi O Corvo para voltar aqui para o site, mas dando 1000% de empenho.

Mas, Luara, por qual motivo você escolheu O Corvo, se ele fala da morte de Lenora, a amada que no céu ora? É simples: assim como nosso amante enlutado fica pasmo quando percebe que o corvo o entende e responde, ainda que sejam duas palavras que o machucam, eu também estou no meu momento de dizer: nunca mais. Nunca mais vou me permitir sabotar, postergar ou achar que não mereço apenas para justificar a preguiça.

Mas VAMOS LOGO PARA A RESENHA!!!


Ato 2: Amém, a resenha que bate em meus umbrais!


Coisa feia resenhar a versão de Machado de Assis citando uma palavra padrão da tradução de Fernando Pessoa #shameonme.


A linda Editora Clepsidra nos traz a conversa de um amante enlutado, sofrendo a perda de seu grande amor, Lenora, com um corvo que repentinamente aparece em sua porta. Antes sozinho, aflito e cansado em uma madrugada triste, nosso protagonista se assusta com a batida em sua porta, a qual, quando abre, revela apenas a noite e nada mais. Ao voltar, escuta novamente a batida e, para seu espanto, um corvo aparece em sua janela e parece entender o que o humano está lhe dizendo.


Há grandes diferenças entre os textos de Machado e de Fernando, que em muitas vezes, abrem caminhos para outros tipos de interpretações além das quais Poe quis passar. O interessante da versão da Clepsidra no que diz respeito ao Corvo, é que o primeiro momento do livro é justamente um pequeno estudo sobre as disparidades nas versões dos três escritores na ótica dos leitores.


Poe mostra, em seu texto original, um homem que sofre a perda de seu grande amor, o que o leva a um estado basicamente depressivo, sozinho e de pouca crença, já que em uma de suas passagens cita que pessoas que ele amou passaram e não voltarão, nunca mais. Machado nos traz uma versão mais séria, ainda que melancólica e mais indignada em relação às respostas do nosso corvinho, mas ainda incrédulo por estar conversando com uma ave.


Voltando um pouco à edição da Clepsidra, a capa e as gravuras escolhidas são maravilhosas. Sinto que a editora nos mima com um projeto gráfico maravilhoso, com as imagens feitas por ranhuras e uma diagramação impecável. Apesar da minha versão ser digital, tenho o prazer de ter uma obra física deles, e sei que isso até pode parecer puxa saquismo (e garanto que não é), mas em relação às versões que tenho deste conto, esta é a edição que mais amei!


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